Portugal tudo fará para alcançar paz justa na Ucrânia, garante secretária de Estado dos Assuntos Europeus

Portugal tudo fará para alcançar paz justa na Ucrânia, garante secretária de Estado dos Assuntos Europeus

Uma guerra longa, sem fim à vista e cuja única solução será negociar, negociar e negociar. É a conclusão, unânime, dos diversos especialistas ouvidos no programa da Antena 1, Consulta Pública.

Andreia Brito com Frederico Moreno /

Fotografias: Andreia Brito

Quando se assinalam quatro anos desde a invasão da Ucrânia por parte da Rússia, o Governo português reafirma a sua posição através da Secretária de Estado dos Assuntos Europeus. Inês Domingos garante que “a posição de Portugal é que tudo faremos para que a paz, alcançada na Ucrânia, seja nos termos que a Ucrânia deseja: uma paz justa, baseada num referendo à população, uma paz que não pode premiar o invasor”.

Para a responsável pelos Assuntos Europeus esta guerra é “cruel e ilegal” e defende por isso a importância do apoio da União Europeia (UE) e das negociações de paz.

Para António Martins da Cruz “a Ucrânia não perdeu a guerra e a Rússia não a ganhou”. O que significa, diz o diplomata e antigo ministro dos Negócios Estrangeiros, “que, provavelmente, a única solução passa pela mesa das negociações e não pelo campo de batalha”.

Da mesma opinião partilha Teresa Almeida Cravo. Para a comentadora de Política Internacional da Antena 1 “não há um vencedor claro, mas existe uma situação assimétrica”. E defende que “o que tem permitido à Ucrânia resistir, até agora, tem a ver com o apoio dos EUA e da UE que tem sido essencial”.

A importância dos Estados Membros é destacada por Ana Cavalieri. A investigadora do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa afirma que “a UE tem demonstrado imensa força e resiliência e imenso apoio para conseguir que a posição ucraniana esteja fortalecida na mesa das negociações”.

Mário Godinho de Matos, antigo embaixador de Portugal em Moscovo acrescenta que “não se vê fim para a guerra que vai ter consequências muito gravosas e muito importantes em termos do que será a futura arquitetura europeia de segurança”.

De ano para ano, o conflito tem ficado mais perigoso. É o que relata André Luís Alves. É repórter independente e cobre a guerra na Ucrânia desde 2022. “A linha da frente está muito mais perigosa para militares e jornalistas. Tenho vários amigos que perderam pernas e braços e alguns morreram”. André Luís Alves conclui: “a guerra está muito mais mortífera, perigosa e imprevisível”.

Soraya Ventura, diretora-geral da Fundação Portugal com ACNUR, reforça essa ideia: “a guerra está mais perigosa. 2025 foi o ano mais mortífero para civis. 2 mil e 500 mortes e mais de 12 mil feridos. É um aumento de 30% em comparação com 2024”.

Milhares de ucranianos entraram em Portugal, desde que a guerra começou. Tiveram de aprender a lidar com algumas diferenças, como a cultura ou a língua.

Para muitos, falar português continua a ser um desafio gigante, mas não é o único. Também pesam as saudades de casa e, sobretudo, o perigo que enfrentam os familiares que ficaram na Ucrânia.

A repórter Cristina Borges foi ouvir vários ucranianos a viver em Portugal. Passados quatro anos alguns tomaram a decisão de ficar por cá. Outros, como é o caso dos mais jovens, pensam num regresso.
 O programa Consulta Pública é moderado pelo jornalista Frederico Moreno.
PUB